Sinto que é extraordinário o fato de possuirmos vida, e mais ainda o fato de não poder planejá-la em detalhes minuciosos. Às vezes o que você acha que será um dia normal acaba sendo aquela linha que determina o inferno astral que você viverá. Às vezes uma simples conversa se torna um vendaval, e com isso eu aprendi que as palavras ditas por nós são puras como flores de outono, mas elas se tornam um dos mais perigosos venenos quando passam pelo portal que delimita o "nós" do mundo. Não são as palavras que machucam mais sim o modo como elas são interpretadas. Hoje estou sentada, fazendo minhas acomodadas e tediosas tarefas diárias, mais não sei o que acontecerá comigo há exatos vinte minutos. Tenho preguiça de olhar ao meu redor e perceber que a vida transita frente aos meus olhos, Tenho preguiça de lutar por coisas que antigamente eu tomava como primordiais. Sinto-me parva por nadar contra corrente e ainda conseguir padecer no mesmo lugar. Rotina? Talvez. Qual a rotina da folha das Arvores? Quando presa ela se movimenta freneticamente para os lados que o vento escolhe e quando solta, ela voa sem rumo sendo beijada pela cinica brisa que a envolve. Me bebo, me tenho, me devoro a procura de sair da minha própria casca. Como uma leve borboleta em seu casulo, tão fascinante, tão vazia, tão bonita. Fascinante como somente o próprio fascínio pode ser, tão vazia como o eu em mim, Tão bonita como os lugares que freqüento em sonhos, e sei que nunca irei visitar.
Sem mais, me despeço.