segunda-feira, 15 de março de 2010

E cá estou mais uma vez. Aturdida e despedaçada com uma doença imaginária nas costas. Dependente e infantil como sempre fui, mas que ainda assim teimo em mudar. Agora me lembro bem que tenho coração, pois ele dói, aperta e grita e me faz gritar. E falar, falar, falar... Falar sozinha e chorar sozinha de medo. Medo da morte que em outras ocasiões eu julgava que seria bem vinda. Não quero morrer. E nem vou! Mas não é isso que meu coração zangado diz. A solidão e a vontade de sair correndo. O medo do medo, o medo da dor, medo. Piada que eu achava patética e que agora vejo que não tem graça nenhuma. Piada que não rí, não conta, não é feliz. NÃO É PIADA, é serio. Travo minhas pernas nas pernas da cadeira e grudo meus dedos no teclado. Não posso sair correndo e ir a procura de ajuda da primeira pessoa que aparecer, é patético. Eu tenho que me acalmar, mas não posso falar pra minha mãe que a dor continua, ela vai dizer que é espiritual e que eu preciso de Deus na minha vida. A mesma ladainha que ouço de todos os chamados esquisitos que venho recebendo do nada. É pânico. Pânico de olhar pra baixo e ver meu coração fugindo do corpo. Sinto meu coração parar, acelerar, parar. O próprio ar que ainda resta me sufoca e cala a boca do meu coração que - tum tum, tum tum- voltou a bater. Vou tomar um banho frio, mais um copo de agua-doce, um tranquilizante e enquanto meu coração brinca de vivo-morto vou mergulhar no sono e me afogar lá dentro.


Só não posso me perder em mim.
Não se esqueça de mim.