sábado, 28 de novembro de 2009

Sem título Nº 654654654657...

Sentia no sangue, na saliva, nos dentes. Uma tristeza tão serena que chegava a incomodar.
E uma vez mais o vazio e a urgência me incomodam...
Há dias me sinto assim, em órbita. Com essa necessidade de sei-lá-o-que. De mudar talvez. Me mudar. Sumir. Desistir.
A mesa surda, cega e muda. Que sempre guarda com carinho a minha dose de nicotina diária, Olha pra mim com um olhar de exigência e me diz que estou a esquecer algo. Sim!
Pego o isqueiro, acendo um cigarro enquanto sinto, vagueio, me embebedo com essa acidez, essa doçura.
Olho além da janela enquanto a chuva espanca as árvores... E as chinga e maltrata como a mãe sádica ao educar seu filho. Olho a chuva e a sinto, batendo na árvore. Bato na árvore e arranco suas folhas como se nela existisse toda a culpa de minhas frustrações. Sou a árvore e a chuva, como em uma simbiose. Tenho o poder de derrubar, matar, inundar, sufocar. Faço tudo isso e me sinto melhor; Mas feliz, quem sabe.
Afoguei-me nessa chuva sagrada como se nela eu me tornasse. Somos uma só, eu e a chuva. Eu e a filha mais velha da sagrada mãe-terra.
De repente sinto a explosão. BUM!- Como se minha vida, problemas, frustrações e todo meu cotidiano tivessem se extinguido. Branco! Só o que vejo a beira desse mundo imenso. Tudo se apagou.
Abri os olhos e derrepente tudo havia se acalmado. Árvores em seu devido lugar; Vento soprando cabelos despercebidos e água escorrendo por todos os lados. Nirvana. Paz. Não sei como conceitualizam o que eu senti naquele momento.
Seria mais fácil de se definir como Ausência de mim, felicidade. Gozo! Ou a paz tão dificilmente alcançada.

Um comentário:

Marina disse...

Você não faz idéia do orgulho que eu sinto de vc. Mais que isso, o orgulho que eu tenho de você fazer parte da minha vida.. Te amo.