Ela tentava mais não conseguia dormir, um triste fardo que ela carregava em suas costas durante anos...
Na verdade ela sabia a formula ideal que a levaria ao sono profundo: Uma pequena dose de suas drogas legalizadas faria com que ela voasse pelo mundo dos sonhos em meio piscar de olhos. E o fluxo de pensamentos então... Algo que ela sempre gostou, nesse momento a atormentava de forma mordaz. Ela sentia falta do amor, do seu fluxo social antes constante e até mesmo da vida virtual que outrora era adepta. PRECISAVA DE PESSOAS AO REDOR, mas era cedo demais para encontrar alguém que ela realmente desejasse ver, Afinal não são muitas as pessoas que se pode encontrar às 4 horas da madrugada...
- Cama confortável, travesseiro confortável, cobertor quente, sono. Porque ainda assim não consigo dormir?
E no silencio inebriante, a cama nada respondeu.
E o que se podia fazer? Ela permaneceu na sua divagação noturna até que entrassem os primeiros raios de uma manhã cinzenta com suas tonalidades vibrantes.
Ao olhar na janela ela olhava as pessoas no seu labutar diário. A garotinha de tranças ruivas naturais, o que ela achava muito raro de se ver. O homem derrubando sua pasta atrasado certamente para o trabalho ou algo mais importante. A mãe que puxava sua filha de cachos dourados impacientemente... Ouvindo, compondo e decorando cada som que se misturava ao som dos pássaros, dos passos, do vento e por fim... Da porta. Cecília desperta de seu sonho distraído e se deita correndo em sua cama. Era sua mãe.
-Filha, Acordada à uma hora dessas?
Quando percebe a falta de resposta da filha ela abre a porta, pois quer ver se tudo está em ordem, e se tranqüiliza ao ver sua cria dormindo como um anjo padecido á mão direita de Deus.
Ao ouvir o som da porta se fechando, Cecília volta pra janela para continuar sonhando e dormindo da maneira que no momento, lhe era mais conveniente.
"Descartar ou não... Eis a questão..."
