Brindemos a vida boêmia.
Brindemos a partida do que poderia ter sido e não foi.
Brindemos a vida dos desafortunados que mesmo tendo seus pés, não sabem aonde ir.
Brindemos aqueles moribundos que sofrem de amor, idealizando uma casa em alguém que não se pode morar.
Brindemos aqueles que não pensam sobre a vida, mas mesmo assim tem seu domínio nas mãos.
Brindemos o que há de feliz na vida e que cada minuto de felicidade se torne horas de realizações futuras
Brindemos aqueles que pensam sobre a vida e se permitem fazer do seu pensamento seu porto seguro, sua morada.
Brindemos a mulher vadia e a mulher mal-amada, que mesmo com tantos pesares choram, lutam, sofrem e conseguem a duras penas aquilo que querem.
Brindemos o ciúme, o desprazer, o desamor e o conformismo que caminham lado a lado conosco fazendo da nossa vida um circo, que acaba por torná-la mais densa e menos monótona.
Brindemos a monotonia que assola nossas almas fazendo com que nossa visão fique turva, discreta e tediosa.
E por fim, brindemos o que há de mais torpe e parvo na vida para que nossa condição de humano se torne cada vez mais leve.
Brindemos o qualquer e tomemos em um só gole tudo que nossa vaga existência pode nos proporcionar.
Um brinde ao céu, um brinde ao inferno!
